Decidi que tenho que te tirar da minha cabeça.
Pedaços de Sofia
A vida da Sofia: momentos, sentimentos, devaneios e crónicas.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
sábado, 19 de dezembro de 2015
Acidente
14 de Dezembro de 2015
Não dormi esta noite.
Pensar que hoje me podia acontecer alguma coisa. Mas não aconteceu.
Nem sequer morri.
Todo o dia vive aqueles segundos do acidente. Lembra - me de gritar a dizer não. Lembro-me de não controlar nada. Do desespero, da impotência. E dos meninos. Meu Deus os meninos. E a minha filha? Que seria dela?
E lembro-me do sonho que estava a ter e de, ao acordar, sem saber se tinha sonhado se era verdade. Ou se o que estava a viver é que era um pesadelo.
Achei que era um castigo. Pelo meu sonho. Isso atormentou - me durante horas e dias.
Penso, agora, que devia ter morrido mesmo. Porque é que eu estou aqui?
Tenho pensado muito em morrer.
1 ano
18 de Dezembro de 2015
Já passou um ano. Mais um ano.
Mudou tanta coisa.... Eu mudei!
Mas outras continuam iguais.
Este meu orgulho.... Amor próprio? Não sei. ...
Mas há coisas que não mudaram.
Todos os dias, todos os dias estás comigo. Acordas comigo e adormeces comigo. Todos os dias me faço as mesmas perguntas: porquê? Porque não me deixas? Deixa - me! !!
Deixa - me ir....
O acidente do ano passado mudou - me. Já fez um ano! Um ano! Pensar que podia já não estar aqui...
Só me apetece mudar a minha vida.
Mas mudar tudo.
Mas não tenho coragem.
É isso: falta-me a coragem.
Às vezes choro. As lágrimas escorrem - me pela cara sem qualquer controlo.
Ando triste.
Todos notam.
Digo que ando cansada.
E estou cansada. Muito cansada.
Estou farta. Farta de rotinas. Farta de ser mãe. Farta de viver uma vida que nunca imaginei viver. Farta de não ter tempo para mim. Farta de não conseguir fazer o que gosto. Farta desta vidinha triste e deprimente. Farta dos problemas da minha filha. Farta de estar sempre a ser criticada.
Farta de ser eu.
Farta.
Era tão mais fácil. Conseguia gerir tudo. Até conseguia ser uma esposa. Desde o Verão que não consigo. Simplesmente não consigo. Ele um dia vai - se cansar. E eu vou ficar sozinha. E não vou gostar. Eu sei.
Mas não estou a conseguir.
Já não consigo ser feliz. É estranho não achas? Eu acho. Mas já não consigo.
Tu consegues ser feliz? Estas Feliz?
És feliz sem mim?
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Sonhos Iguais
14 de Outubro de 2014
Sonhei contigo.
Toda a noite. E acordei sempre que cada sonho acabava. Eram sempre encontros. Encontros contigo. Sempre no aeroporto.
Claro que não é estranho. Ambos sabemos porquê. O meu inconsciente atormenta-me até em sonhos.
Mas quando raio vais deixar de fazer parte da minha vida? Que Merda!
Em todos os sonhos: foram sempre encontros. Sempre em locais diferente do mesmo espaço. Encontramo-nos nuns sonhos mais próximos e noutros mais distantes fisicamente: eu olho para ti e tu olhas para mim. Num dos sonhos eu ouvi a tua voz e olhei para trás. Os nossos olhares cruzaram-se sempre, em todos os sonhos, por uma eternidade. Como se os teus me fizessem perguntas e os meus te respondessem. Como se os meus te fizessem perguntas e os teus me respondessem. Como se nos abraçássemos.
E ficamos a olhar um para o outro. Abraçados num olhar. Uma longa conversa a olharmos um para o outro. Também não há provavelmente nada a dizer. Também nunca precisámos de falar muito. Um olhar sempre foi suficiente suficiente. Desde a primeira vez.
Em todos os sonhos.... fui sempre eu que baixei os olhos primeiro e segui em frente. Nunca segura de mim. A sentir que o chão me fugia. Mas sempre decida a mostrar-te que não significavas nada para mim. Acreditaste nisso?
Sempre de cabeça baixa. Sigo em frente.
E acordo. E adormeço. E volto a sonhar. E volto a acordar. E volto a adormecer.
Uma noite interminável.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
A Triologia
Há anos que não me sentia assim. Ávida por ler.
5 dias, 3 livros, 1740 páginas.
50 Sombras de Grey.
Impressionante como esta história me faz lembrar a nossa. Mas não é a nossa história porque nós tivemos a nossa.
Primeiro volume foram 547 páginas. Lidas num ápice.
As lágrimas saíram de mim em muitos momentos. Tantos momentos da vida deles que me fizeram lembrar os nossos momentos. Foi arrebatador.
Houve alturas que quase não respirava só para viver os nossos momentos noutra história. Nenhum de nós tinha 50 sombras. Nem nunca levamos os nossos momentos dolorosamente longe. Nunca tivemos um contrato. Mas sempre tivemos um acordo. Mas era aquilo que li que sentia contigo. Foi mesmo arrebatador o primeiro volume.
Terminou como nós: cada um seguiu a sua vida quando um de nós achou que era melhor Parar. Era esse o acordo. Ainda me lembro desse dia. Mas hoje não vou pensar nisso.
Mas a história fascinou-me e li o segundo volume. 621 páginas. Agora ficção. Mas muito bom. Esta já não foi a nossa história. Pois não...
E mais 572 páginas. 3º volume. Também não foram a nossa história. Mas foram uma linda história de amor... deles.
Sempre me deixaste irracional.
Pensamentos
12 de Setembro de 2014
É hoje, não é?
Desde que te reencontrei todos os dias penso em ti.
Dantes também pensava... mas não era todos os dias
Agora é.
Todos os dias...
Todos os dias...
às vezes acho que vou endoidecer.
És o meu primeiro pensamento ao acordar
És o meu último pensamento ao deitar
És um vazio enorme sem notícias
E eu sou um vazio enorme em solidão
Solidão que me atropela os dias
Que me faz sentir pequena
Que me faz sentir invisível
Tantas vezes que penso: como te perdi outra vez?
E perdi.
Sozinha.
Atropelos de sentimentos, curiosidades e emoções
Atravessam-me
Rasgam-me
Como se tudo tivesse deixado de fazer sentido
E choro
Todos os dias
Mas há dias em que as lágrimas são visíveis
Outros não.
E as lembranças? E as memórias?
Essas atormentam-me.
sábado, 27 de setembro de 2014
A viagem
20 de Julho de 1997
Estava tudo pronto. Estavámos em Lisboa. Recordo-me de estar no aeroporto e de tentar perceber qual era a sensação de voar. Tinha sentimentos difusos. A minha melhor amiga não ia viajar comigo. Mas eu ia-me reencontrar com outra amiga minha: uma espécie de irmã que conheci e descobri nestes últimos dois anos de faculdade. Estava ansiosa. Já não a via há umas semanas. Tinha saudades dela. Das suas certezas, da sua objectividade. Ela sabia o que queria e eu sabia que o ia conseguir. Tinha sempre um sorriso, uma observação pertinente, uma piada inteligente.
Na fila do checkin: quatro mulheres e um monte de malas. Eu estava de partida com a Inês, a Maria e a Mafalda: um bando de mulheres divertidas e sei que todas procurávamos alguma coisa naquela viagem. Eu sei o que eu procurava. Queria descobrir o mundo, conhecer pessoas, conhecer sentimentos. Conhecer um lugar de que tinha ouvido falar nos últimos dois anos, onde eu sabia que pertencia. Estranho, mas era esse o sentimento. Eu nunca lá tinha estado mas sentia que fazia parte de mim.
Descobri, mal levantamos voo, o que era ter borboletas na barriga. Só queria que não fossem embora. Queria que aquela ansiedade, o bater depressa do coração, aquele calor crescente que me tingia as faces de escarlate, durasse indefinidamente. Foi uma viagem animada. Cheia de risos, de olhares cúmplices entre nós. Um bando e mulheres a viajar durante uma semana. Uma viagem aos Açores.
O momento do voo foi quando nos serviram uma refeição embalada. Era horrível. Comentámos entre gargalhadas que o que sabia bem era uma feijoada! Rimos como perdidas.
Descobrimos a casa de banho! Um compartimento enorme... onde mal nos conseguíamos mexer. Até isso foi motivo de risinhos histéricos.
O tempo passou rápido com tanta parvoíce. E avistamos as ilhas de bruma.
UAU... O meu sentimento de pertença aumentou! Como era possível? Eu nunca lá tinha estado e era como se já lá tivesse vivido. Estranho.
Começamos a descer e eu vi o mar quase a tocar na asa do avião. Uma ilusão que aumentou o número de borboletas dentro de mim. E vi a pista de aterragem. Não maior que trinta centímetros. Uma imagem aterradora. Uma paisagem verde, deslumbrante esperava por nós. Trezentos milhões de borboletas enormes batiam dentro de mim. Em cada milímetro do meu corpo. Fechei os olhos. Enterrei - me no banco. E achei que aquele era o meu derradeiro momento.
Não tinha dito à minha mãe o quanto a amava. Não sabia o que era amar alguém sem ser a minha mãe. Não a tinha abraçado e lhe tinha dito o que ela era importante para mim. Eu, nunca ia ser mãe e sentir o que ela sentia por mim.
Abri os olhos e senti o chão debaixo de mim. A pista aumentou e passou a ter quilómetros. E, nos segundos seguintes, soube que eu, Sofia, 20 anos, tinha sobrevivido. Eu ia abraçar a minha mãe outra vez.
Tive a sensação que renasci. O medo fez-me renascer. O avião parou. E agora? As borboletas ainda batiam dentro de mim. Aos milhares.