Novembro de 2010
A minha lucidez.
Sempre pensei nisto como algo que acabaria por acontecer. Todos diziam que éramos muito parecidos. E isso sempre me irritou. A distância das nossas vidas, dos nossos objectivos sempre foi evidente para mim.
O amor é uma coisa estranha.
Partilhamos a vida com pessoas que achamos que ficarão connosco, ao nosso lado, durante todo o tempo que toda a nossa vida durar. No entanto a vida troca-nos as voltas. E essas pessoas que, durante anos, ali estiveram desaparecem. Foi assim com o pai da Sofia. O meu pai. Ele não partiu, não morreu. Simplesmente chegámos a um ponto na vida em que a coexistência se tornou insustentável.
Como é que o amor desaparece? É uma pergunta que me faço constantemente.
- Como, posso eu, não sentir a sua falta?
De facto esforço - me para perceber o porquê de, ao fim de 33 anos de coexistência com uma pessoa, ela não conseguia mais amá-la, respeitá-la, pensar nela, ter carinho... Nada. Não sentia nada. Nem pena. Nem saudade. Nada. Absolutamente nada.
Eu sempre tivera conflitos com o meu Pai. Nunca fora uma relação pacífica. Mas era meu pai!
Como se isso justificasse o amor!! Agora sei.
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